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domingo, 11 de agosto de 2013

Guerra Fiscal? - Ou Estados Competitivos?

O que o pensamento político dominante aponta como sendo Guerra Fiscal: a escolha de alíquotas de ICMS competitivas; eu vejo como sendo uma saudável competição interfederativa por negócios e cidadãos entre os estados brasileiros. O estado, que provê maior custo x benefício entre os serviços públicos e os impostos pagos, ganha mais negócios e mais cidadãos tentem a desejar morar nele. Já aqueles mal administrados em que os benefícios do serviço público são baixos (infraestrutura mais precária, por exemplo) em relação ao nível dos impostos tendem a perder negócios e ver seus cidadãos deixarem seus espaços.


Para mim a preocupação e a urgência em acabar com esta competição é a expressão mais sólida de um imenso patrimonialismo de Estado entranhado em nossa pele até o osso. O imposto significa o preço pago pelos serviços públicos ditos gratuitos. Impedir que o cidadão-consumidor escolha seu fornecedor com diferenciação de preços representa criação de monopólios e oligopólios locais com forte favorecimento para os estados mais ricos em que as empresas e as indústrias já estão instaladas. Ou seja, é um esforço para manter um status quo em que por um lado ganham os mais ricos que deixam de perder e perdem os mais pobres que deixam de ganhar. Por outro lado todos perdem com a dificultação do livre comércio dentro do próprio Estado Nacional com pioras conhecidas para todos. Como podemos falar em livre comércio regional (MERCOSUL) ou livre comércio mundial (Rodada Doha) se não fazemos nosso dever de casa nem aqui dentro? Nossos fracassos internacionais não são só culpas de cenários externos desfavoráveis, mas antes de mais nada são expressões dos nossos vícios de casa, nacionais, na nossa política externa.


Ou o Brasil se pensa mais estrategicamente como ator global que é, ou estaremos fadados a consolidarmos uma posição de país de segunda categoria apesar de toda a riqueza multidimensional que possuímos


...


Coisa muito diferente do que discutimos aqui e que deveríamos repensar, entretanto, são as concessões de privilégios tributários para algumas empresas. Ou seja, quando o estado diminui impostos, não horizontalmente para toda a economia, mas para uma ou outra empresa escolhida a dedo. Por que uma empresa merece tal privilégio? Será que uma indústria internacional vale mais que uma construída aqui? Ou será que uma empresa de TI dos EUA implantada aqui representa mais desenvolvimento do que aquela nacional construída no quintal de alguém ou dentro de uma de nossas universidades? Caso aja alguma vantagem em tais concessões elas deveriam, no mínimo, ser feitas em critérios claros e objetivos, burocráticos no sentido weberiano, ao qual todas as empresas interessadas pudessem concorrer pela posição especial junto ao fisco. Isso se torna ainda mais crítico quando as empresas beneficiadas beneficiam os partidos políticos com doações para campanhas políticas.

domingo, 16 de setembro de 2012

Poupança e Crédito


Sobre Desenvolvimento e o sistema de Crédito no Brasil:

Ao contrário do que diz a "pretense of knowledge":
Não é a cultura que faz com que a poupança no Brasil seja baixa.
São as taxas de retorno do capital baixíssimas, imensas assimetrias de informação e riscos contratuais envolvidos que desincentivam os poupadores. Mas acima de tudo o problema está nas taxas de retorno. Quando alguém poupa na caderneta de poupança o retorno de até 0,526% é baixíssimo e frequentemente perde para a inflação (ou seja, guardando o dinheiro hoje é quase certo que no futuro ele valerá menos do que se fosse consumido hoje - um total paradoxo).

É isso que não se conta nos programas de economia. Frequentemente, ao contrário do que prega a teoria clássica (e por causa das assimetrias de informação), títulos com maior risco como CDBs têm rendimentos líquidos menores que a poupança (e não raro os rendimentos nominais já são inferiores).

Do outro lado do sistema, na ponta, os juros para os tomadores são altíssimos. 3,18% ao mês na média para o crédito pessoal e 8,73% na média para o cheque especial. Para quem está investindo e tem garantias mais que suficientes (geralmente pede-se 120% de garantia) as coisas não são muito melhores: 2,83% ao mês na média de desconto de duplicatas e 5,88% na conta garantida. E atenção: aqui não se está levando em consideração taxas de abertura de crédito, taxas bancárias diversas, impostos e outros penduricalhos que se postos na conta fariam o custo do dinheiro explodir.

Lembrem-se que a média usada aqui é sempre muito perversa. Tanto no investimento quanto na tomada de capital sempre há aquele cliente especial que tem contatos, amigos e meios de pressão. Estes recebem acima da média e tomam abaixo da média e, para compensar, a grande maioria anônima toma dinheiro emprestado com juros acima da média e recebe rendimentos de sua poupança abaixo da média.

Desta forma nosso sistema é metódicamente construído para desestimular, ao mesmo tempo, poupança e empréstimo e nos tragar com violência para a subutilização do capital reduzindo assim bem estar e riqueza.

Pior do que isto é só o orgulho pateta que temos do nosso sitema financeiro. AH! Mas aqui não há crises, nem bolhas: claro, só tem a perder quem tem alguma coisa.

A irracionalidade restritiva do nosso sistema de poupança-crédito é vista como muito orgulho: excesso de regulação estatal, regras exageradas nas instituições, gerenciamento de risco de crédito que preventivamente diz não a tudo, subsídios cruzados, subremuneração dos investidores, baixa tecnologia aplicada no atendimento ao cliente e pouca concorrência no setor, etc.

Quem conhece a história sabe que é o mesmo pensamento que na época do Império se orgulhava do número reduzido de empresas registradas, que o mal do comércio desvirtuava poucos dos nossos.

A cultura errada não é a da população que faz cálculos apurados, mas da elite (dirigente e intelectual) que certa da sua iluminação vê seus tropeços como genialidade e os atos do dia-a-dia feito pelos pequenos proprietários como falta de esclarecimento.

Só por comparação, se você colocasse 1.000 reais hoje na poupança (recebendo os 0,526%a.m.) e tomasse, ao mesmo tempo, 1.000 reais em empréstimo pessoal (tipo de crédito barato, com garantias e justificativas válidas) pagando a média dos 3,18%a.m. daqui teria a seguinte situação (contas em papel de pão):

Deveria 6546,63 na conta do empréstimo.
Teria reservas de: 1.370,09 na conta da poupança.

Mas poxa vida! Tem algo errado aí.
Se fossemos pensar em 100% sobre o principal (1.000 reais) para cobrir as despesas com os inadimplentes, 100% sobre o principal para o lucro (com juros) da instituição (1.000 reais), 100% sobre o principal para o governo (com impostos) a diferença não poderia passar de 3.000 reais. Vale lembrar que 100% em qualquer uma dessas contas é um valor altíssimo, num país civilizado 10,20, 30% no máximo seria adequado.

Entretanto a diferença é de 5176,54 !!! Só sou eu que vejo que tem algo de muito errado nisso tudo?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Pensamento do dia

No Brasil os serviços postais são monopólio. O que significa que apenas uma empresa pode tentar coletar, distribuir e entregar correspondências. A quem você acha que isso beneficia? Você?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pensamento do dia

Educação é a única política industrial de longo prazo !

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pensamento do dia

Se empreender no Brasil fosse videogame; seria como jogar um jogo completamente desconhecido, sem nenhuma ajuda, no nível hard e com só uma vida!

domingo, 8 de abril de 2012

Pensamento do dia

Ser administrador é antes de tudo compreender que só há uma maneira de adicionar valor: através das pessoas. Para isto é preciso compreender que elas têm sonhos, vontades, desejos, alegrias, tristezas, traumas e medos. Ser administrador é saber então atravessar por tudo isto.
Criar valor é então saber fazer emergir no interior de cada pessoa o que ela tem de melhor. É enfrentar percalços e superá-los; é ser capaz de, em grupo, subtrair defeitos e potenciar qualidades. É assim que se cria valor.
Ser administrador é semear sonhos e inspirar a todos pela colheita, sabendo que o grão só começa a germinar depois que todos já se levantaram para colhê-lo. Administrar é inspirar: é fazer seguir o caminho que só se concretiza atrás de cada passo dado.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Pensamento do dia - Guerra Fiscal e Guerra na Telefonia

Ouço falar muito em Guerra Fiscal. Mas para mim não há nenhuma Guerra Fiscal em curso no Brasil. Há apenas uma saudável competição entre Estados independentes. São os diversos governos competindo para ver quem consegue gerar maior desenvolvimento econômico e social em um contexto nacional de impostos extorsivos, confusos, mal planejados e ineficientes.

Por outro lado há uma guerra econômica em curso no Brasil e nada ouço falar sobre ela. Quando a telefonia foi privatizada e repartida no Brasil um de seus pilares era a concorrência. Quando as operadoras (principalmente de celular) colocam tarifas super-baixas para comunicação dentro de sua rede e super alta para fora dela elas estão praticando práticas anti-concorrenciais. Elas podem fazer isto porque geram economias de rede. Uma vez que uma operadora consegue uma fatia significativa de usuários e evita o acesso de outras operadoras a tendência é que as demais desapareçam. Se isto continuar sem uma regulação de qualidade por parte dos órgãos competentes a tendência é que o número de operadoras diminua (como está ocorrendo) em direção a um monopólio ou oligopólio.

Vale lembrar que sem concorrência quem perde é o consumidor com produtos piores e mais caros. Ou abrimos o olho ou pagaremos os custos. Monopólio é sempre ruim, não importa se estatal ou privado.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre Industrialização

Cuidado ! O Brasil está se desindustrializando ! E o Governo deve utilizar do dinheiro público para salvar nossa indústria contra o ataque especulativo estatal vindo da América do Norte e da Europa !

A então tá bom !..
O Brasil está desindustrializando, né?
Então por que a produção industrial praticamente duplicou de 2002 até 2011 ? Veja o gráfico: http://e.glbimg.com/og/ed/f/original/2012/03/09/721_industria_graficos.jpg . Veja a fonte: http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2012/03/o-mito-da-desindustrializacao.html
Por que segundo o IPEA data (Fundação Getulio Vargas, Conjuntura Econômica (FGV/Conj. Econ.)) a utilização da (capacidade instalada da) indústria está acima de 80% e abaixo de 90% desde 1986 sem tendência consistente de variação?
Por que segundo o IPEA data (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (IBGE/PIM-PF)) a produção industrial apresenta tendência de crescimento lento desde 1975 sem grandes variações (inclusive nos últimos 20 anos) ?
E vamos lembrar: EUA e a União Européia estão desesperados tentando (de forma ruim) sair de uma crise arrastada e não atacando países.

Então sobre o que este circo todo se trata?
Trata, caro compatriota, de pegar o seu dinheiro (afinal o governo não trabalha, todo dinheiro público é dinheiro do cidadão-trabalhador que cede ao governo – algumas vezes a contra gosto porque gostaria de consumi-lo diretamente outras de bom grado para ter serviços públicos em troca) e usá-lo para subsidiar industriais (encher os ricos de dinheiro) – ao invés de usá-lo em saúde, educação, infraestrutura, transporte e segurança pública – e diminuir a concorrência no país – diminuindo assim a qualidade dos produtos e serviços, sua capacidade de compra e a sua liberdade de escolha e dando aos industriais lucros de oligopólio.
Fique esperto !

Felizmente uma tímida e engasgada voz da razão veio pelo porta-voz Alexandre Schwartsman no Globo News Painel. Assista:
http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-painel/videos/t/todos-os-videos/v/governo-e-iniciativa-privada-tem-que-ter-objetivos-convergentes-diz-economista/1873112/
http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-painel/videos/t/todos-os-videos/v/brasil-tem-se-desindustrializado-casualmente-nos-dois-ultimos-anos-afirma-especialista/1873150/

sábado, 24 de março de 2012

Sobre Juros Direito, Economia e Administração

Todos os rendimentos (incluindo os juros) são compostos por causa de sua lógica matemática. Rendimentos (incluindo juros) simples são um erro conceitual que compôs uma etapa na descoberta (e não invenção) da verdadeira essência dos rendimentos (hoje já conhecida). Fato de fácil constatação: quaisquer livros que estudam rendimentos (de quaisquer tipos) usarão os rendimentos compostos para compreender os efeitos e causas desejados (desde investimentos econômicos até multiplicação de bactérias). Mesmo na prática costumeira nunca se verá uma aplicação que não seja de rendimentos compostos tendo resultados verdadeiros. Entretanto o direito brasileiro de forma arcaica, como de costume, define que a gravidade não existe e ameaça punir (e o faz sempre que se depara com alguma realidade) quem obedecê-la. Nisto perdem aqueles que se comportam bem. Para manter a farsa de que algo como a lei da gravidade não existe, nos contratos cotidianos, estabelece-se uma taxa de juros simples fictícia que, num prazo médio, se iguala a uma taxa de juros composta muito mais baixa. Entretanto isso faz com que sejam punidos aqueles que são honestos e responsáveis. Uma taxa de juros simples que se equilibra com uma taxa de juros compostos em um prazo médio é muito maior do que esta num prazo menor (ou curto). Logo quem paga antecipado (de forma responsável) paga mais e se torna o perdedor do jogo social. Por outro lado quem paga atrasado, além deste prazo médio de equilíbrio, paga menos. Porque com uma taxa de equivalência no prazo médio, a taxa do juros simples num prazo maior é bastante inferior. Premiamos então o comportamento irresponsável e desonesto.
Você já acha isso ruim o suficiente ?! - espere que o pior está por vir, veja as consequências sociais disto!
Uma vez que se premiam aqueles que atrasam suas contas (que ajam irresponsavelmente ou desonestamente) e se pune aqueles que as antecipam (que ajam responsavelmente ou honestamente) se cria um mecanismo de incentivos que força à população a tomar a primeira atitude. Se todos (ou uma quantidade significativa) aprende a estender os prazos de pagamento diminuindo o rendimento real daquele que dá crédito, o credor leva prejuízo. Com isto menos agentes no mercado se arriscam a fornecer crédito (mesmo que dele disponham sem uso e mesmo que este seja aquilo que melhora o bem estar tanto de credores quanto de tomadores de recursos). Sempre que o número de tomadores (demandantes) permanece constante para um menor número de credores (ofertantes) o que ocorre é o aumento do preço que no caso do dinheiro se chama juros (o preço do aluguel do dinheiro) .
Mais do que isto, aqueles credores que permanecem no mercado tendem a aumentar o prazo médio (para igualar o prazo médio real ao esperado com o atraso médio gerado). Este aumento do prazo médio aumenta os juros simples de equivalência adotados, o que faz as taxas de juros simples explodirem. Isso reforça a punição para os bons pagadores que antecipam as contas e multiplicam os prêmios para os maus pagadores (aqueles que as atrasam). O que gera um ciclo vicioso de alongamento do prazo médio, aumento das taxas de juros (simples para todos e compostos para os bons pagadores) e fazendo os juros no Brasil jamais descerem para patamares civilizados.
...
E se limitarmos os juros simples, proibirmos que sejam elevados? Colocamos um juros máximo em algum lugar importante, talvez na constituição. Não resolve? Não! O que se faz para compensar isto é embutir no preço da mercadoria transacionada aquilo que não pode ser chamado de juros. (Ou isso, ou se fecham as portas, pois contra as leis naturais da realidade e da matemática ninguém pode). Assim nos tornamos o país com os maiores preços finais por pacote de serviços do mundo. E punimos aqueles que gostariam de pagar a vista empurrando todos para uma danosa ciranda financeira.

domingo, 18 de março de 2012

Pensamento do Dia - Propriedade Intelectual no Brasil

É esquizofrênica a lei de propriedade intelectual no Brasil. Criada sobre o intuito de promover a inovação através do incentivo aos criadores pela premiação destes com os rendimentos do seu próprio trabalho; os resultados de nossa lei são o inverso. Subutilização das criações, fortíssima inibição da criação que parte das bases de outra, enriquecimento imoral de pessoas e organizações distantes dos criadores originais são apenas exemplos da nefasta história dos direitos autorais no Brasil. Órgãos como o ECAD e a ABNT tem se aproveitado de vantagens monopolísticas criadas pelo Estado e privado cidadãos do acesso de obras de interesse público ao mesmo tempo que enriquecem suas organizações e, principalmente, seus diretores. Filhos de autores famosos não precisam trabalhar um único dia para manter sua vida de luxo, sobrevivendo pelo rendimento parasitário de obra de seu ancestral.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Insumos

Insumos baratos de trabalho fizeram florescer o comércio.

Insumos baratos de energia fizeram florescer a indústria.

Insumos baratos de informação/comunicação fizeram florescer o serviço.

Insumos baratos de conhecimento fazem florescer a inovação e a oferta de experiências.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Citação da Semana

"For-profit businesses have a common goal: create value for owners or shareholders by creating value for customers." Julia Hanna

"Negócios empresariais tem um objetivo comum: criar valor para os sócios ou acionistas através da criação de valor para os consumidores." Julia Hanna


Muitas vezes a gente escuta muitas bobagens sobre o objetivo da empresa privada, a maioria dita por advogados, do tipo "A empresa privada visa o lucro". Em que, na cabeça de destes, o lucro representa a extorsão da sociedade através da limitação do acesso da sociedade aos bens que ela necessita. Não! A empresa privada visa criar valor para seus proprietários através da criação de valor para a sociedade. Neste sentido ela faz o inverso ao que os conservadores brasileiros pensam, ela cria acesso a bens que a sociedade precisa. Por isto é tão brilhante e feliz a definição dos objetivos das empresas privadas feita por Julia Hanna.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Definições de Teorias dos Jogos

Por Renato Paulo Nicácio Pedrosa



A) Valor esperado de uma loteria: é medida dos valores obtidos em determinado evento ponderada por sua probabilidade de ocorrência.



U[E(e) ]=v1.p1+v2.p2+⋯+vn.pn

B) Utilidade esperada de uma loteria: são todos os valores possíveis de um determinado evento com suas probabilidades.



U(e)=v1.(p1)+v2.(p2)+⋯+vn.(pn)

C) Aversão ao risco: significa que o agente está disposto a pagar para não correr o risco, pois a sua percepção de utilidade de determinado evento é inferior ao valor esperado deste mesmo evento. Tal que:



Up(e)<U[E(e)]

D) Neutralidade ao Risco: significa que o agente é indiferente ao risco, pois sua percepção de utilidade de determinado evento é igual ao valor esperado deste mesmo evento. Tal que:



Up(e)=U[E(e)]



E) Amor ao risco: significa que o agente está disposto a pagar para correr o risco, pois sua percepção de utilidade de determinado evento é superior ao valor esperado deste mesmo evento.



Up(e)>U[E(e)]

F) Estratégias puras: são as opções de decisões de determinado jogador. Representa que quando este opta por uma estratégia abandona completamente as demais.



Tabela 1 - F

G) Estratégias mistas: são combinações de opções de decisões realizadas por determinado jogador. Significa que ele fará algumas jogadas tomando uma estratégia e outras tomando outra delas, de certa forma aleatória, de tal forma que o adversário não saiba em determinado momento qual estratégia específica o jogador citado estará tomando.



Tabela 2 - G

H) Estratégia max min: consiste em reduzir a perda possível em determinado jogo. Ela é adotada sempre que se duvida da racionalidade (aparente) do adversário. Ela é tão mais consistente quanto maior for o nível de perda para um mesmo nível de dúvida, ou maior for o nível de dúvida para um mesmo nível de perda. Esta estratégia consiste em obter o maior dos menores resultados possíveis.



I) Equilíbrio max min: é o resultado esperado quando os jogadores adotam estratégias de max min. Segue um jogo de prisioneiros, os valores são o tamanho da pena para cada um deles (negativo por que representa uma perda de liberdade).



Tabela 3 - I

J) Equilíbrio de Nash: são os pontos de estabilidade de um jogo. É uma dada combinação de estratégias em que nenhum dos jogadores tem incentivo a mudar individualmente sua estratégia. Representa qual será a estratégia do jogador que maximiza seu resultado sendo dada a estratégia utilizada e vice-versa.



Tabela 4 - J

L) Ameaças ou compromissos não críveis: são sinalizações de que um jogador irá punir o adversário em um jogo, pois esta ameaça pode induzir um comportamento do adversário que favoreça ao jogador. Entretanto, uma vez que o adversário tenha tomado uma decisão indesejada pelo jogador, este não deverá implementar a ameaça, pois tomá-la não só piorará o resultado do adversário, como também piorará o resultado do próprio jogador.
Conhecedor deste fato o adversário racional será indiferente à ameaça do jogador racional ao tomar suas escolhas. Logo ameaças não críveis são ameaças de punições não implementáveis.



M) Equilíbrio de Nash perfeito em subjogo: é um Equilíbrio de Nash que resta em um jogo seqüencial quando analisados os subjogos algumas estratégias são descartadas por tratarem-se de ameaças não críveis.



N) Seleção Adversa: é quando, em um contrato feito para uma amostra média em adesão voluntária, apenas ou majoritariamente a parcela “menos desejável” adere, desequilibrando assim o resultado global do contrato.



O) Risco Moral: representa os incentivos para o comportamento individual que são danosos ao contrato e que têm sua origem no próprio contrato. Ou seja, um seguro ótimo para uma amostra com determinado comportamento, pode incentivar a piora deste comportamento. Exemplo: proprietários de veículos segurados que tomam menos cuidado com os mesmos quando sabem que estes estão protegidos por seguros.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Perguntas e Respostas 2 - Cláusula de Sucesso

Preciso de uma idéia de modelo contratual com cláusula de sucesso, ou seja, se prestarmos consultoria em uma determinada empresa e dermos resultado no faturamento, ficamos com um percentual.


Questão proposta por Andreas, Grupo Incorpore e EQP Service e Treinamento, via LinkedIn, Consultores Brasileiros



Caro Andreas,


Uma cláusula de sucesso é muito benéfica à primeira vista, mas na prática se torna muito difícil.


Entretanto se você deseja seguirem frente, porque crê que os benefícios potenciais superam os riscos, deverá levar duas coisas em consideração.
Primeiro deverá se observar a tendência natural dos resultados da empresa, ou seja, qual o resultado que a empresa alcançaria sem a consultoria. Depois deverá se observar os desvios da média, como a sazonalidade. Logo a cláusula de sucesso deveria ser baseada nestes estudos. Ou seja, a taxa de sucesso deveria ser proporcional à parte acima da projeção prévia do resultado limpo dos desvios.


Uma vez solucionado este problema (ex-ante) sobra outro, um problema ex-post.


Sobre o prisma da Teoria dos Jogos a empresa tem incialmente todos os incentivos para pagar corretamente, já que isto significa que ela dará bons incentivos aos consultores para realmente se empenharem (uma vez que participarão dos resultados), uma vez que os resultados já foram alcançados os incentivos se invertem e a empresa tem todos os incentivos para não pagar corretamente. Por quê? Porque muitas coisas acontecem no processo, coisas não previstas, esta incerteza natural somada à inexatidão de informações levarão à empresa a crer que a maior parte do lucro extraordinário foi resultado de seu próprio engajamento e os consultores a crerem que uma parte mais do que a prevista dos resultados advieram de seu know-how transmitido.


O problema neste sentido é que o consultor é a parte fraca, já que sua capacidade de impor um pagamento é pequena e a da empresa de negar, ou pelo menos protelar fazendo-lhe perder valor no tempo, é grande.


Uma solução parcial para este problema poderia ser dividir a entrega do trabalho e a mensuração de resultados em várias partes. Assim a empresa teria incentivos de pagar corretamente em uma rodada para que consiga os melhores resultados na rodada seguinte. Esta resposta é apenas parcial porque uma empresa racional pode calcular o ponto que maximiza seu resultado global e só pagar até este ponto. Uma consultoria ainda mais racional poderia solucionar este ponto sabendo de véspera da ação da empresa e sobre-precificando seu trabalho até o ponto em que o pagamento parcial previsto tenha taxa de retorno aceitável. Todavia esta sobre-precificação pode deixar o custo aparente para a empresa superior ao de outras formas de contrato, principalmente em ambientes de incerteza.


Sem contar que ações plenamente racionais em um "jogo" são teóricas e empresas podem agir de maneira emocional, ou utilizando uma racionalidade complexa que atua em vários "jogos" simultâneos de difícil análise holística a priori, o que pode dificultar o diagnóstico.


Ocorre que o relacionamento de longo prazo da consultoria com a empresa e o inter-relacionamento entre as pessoas pode afetar seu comportamento. Tudo isto deve ser friamente analisado para criação do contrato. Deve-se equacionar os sistemas de incentivos para que tudo transcorra bem.


Outra opção é que a consultoria receba todo o valor adicional (ou seja tenha-lhe a posse) sendo que a propriedade (o direito sobre os valores) continue com a empresa, desta forma ela pode obrigar seu pagamento simplesmente transferindo à empresa o valor com o repasse já descontado.


Eu adoraria colocar aqui um modelo ou um arquétipo de cláusula, mas seria leviano da minha parte desenhar qualquer contrato/cláusula sem fazer os cálculos devidos e ter acesso a todas as informações. Infelizmente não posso ajudar na efetiva construção da cláusula de sucesso deste negócio, porém acredito que as informações prestadas lhe darão subsídio para tomar a decisão mais acertada e minimizar os riscos. Desejo-lhe todo sucesso do mundo nesta consultoria.


Renato Pedrosa

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Crise Financeira

O problema da crise financeira global não é o risco sistêmico, que já existe há muito tempo, mas o risco moral, que no atual nível existe desde a crise do subprime. Enquanto a alta cúpula dos bancos colher os lucros de operações de alto risco e serem salvos sempre que houver um efeito adverso ela nunca deixará de entrar em grandes encrencas. A correção dos mercados financeiros globais deveria passar por uma reestruturação do sistema de incentivos. Estes poderiam ser corrigidos através de uma reestruturação do sistema de falências de instituições financeiras. Não quero dizer com isto que deveríamos deixar os bancos caírem um atrás do outro que nem dominós em linha. Entretanto deveria existir um sistema de falências virtuais. Explico: toda vez que uma instituição financeira entrar em dificuldades que ensejariam seu desmantelamento, a ajuda governamental seria condicionada à transferência total de ativos dos antigos proprietários para novos. Estes novos proprietários de preferência seriam aqueles que nunca atuaram no mercado financeiro antes. Conjugada com a troca da equipe de gestão.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Foda !



O bacana é coordenar essa galera toda e sair tão bem feito. Detalhe que eles inverteram a sequência, o câmera vai pra frente e as pessoas para trás. Talvez tivessem um visual AINDA mais bonito caso as pessoas andassem para frente e o câmera para trás, já que não os veríamos olhando para trás. "Propaganda" muito bacana que espalha sem gastos. Parabéns a todos! Excelente!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



Fala sério ! É o maior barato este tipo de comunicação !
O CONAR (CONSELHO DE AUTORREGULAMENTAÇÃO PUBLICITÁRIA) - órgão autônomo e independente do governo - deveria pegar mais leve na regulação.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Propaganda Combativa

Imagem da propaganda da Nissan

Foi incrível como a Nissan lançou uma propaganda provocativa, inteligente e com argumentos comprováveis contra suas concorrentes. Se não é anti-ética por expor dados verdadeiros, resta saber se funciona para atrair público para o carro da Nissan.
Tendo a crer que sim, pois a mim atraiu ao site, fiquei curioso. Mas não vou comprar carro nenhum. Será que gerou e está gerando mais vendas?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Estado e Gestão de Pessoas

Os desafios impostos ao Estado nos tempos atuais são imensos. Este, seus órgãos, fundações, autarquias e empresas lidam com demandas crescentes e diversificadas. Tudo isso ocorrendo em um ambiente de restrições/limitações legais e "fáticas". Portanto as políticas públicas precisam ser eficientes, eficazes e efetivas. Neste contexto a Administração Pública Burocrática torna-se incapaz de realizar o necessário, evidenciando a necessidade de implantação generalizada do paradigma da Administração Pública Gerencial.


No que se refere à Gestão de pessoas a administração transita da orientação em funções para a orientação em competências e talentos. No entanto gerir o capital humano dentro desta nova perspectiva exige que o gestor esteja preparado para reconhecer as competências para que possa então selecioná-las, empregá-las/aplicá-las, mantê-las e desenvolvê-las. De forma análoga grandes organizações mecanicistas e/ou detentoras de algum tipo de monopólio tendem a se comportar de forma análoga.


Por sua vez este reconhecimento se dá pelo mapeamento de competências dentro da organização. Como a competência só se materializa no campo da prática envolve tanto “conhecimentos” quanto atitudes. Ou seja, envolve dados, informações, conhecimento e sabedoria, tácitos e explícitos, bem como ações, comportamentos e relações sociais. Logo os métodos e técnicas para realizar este mapeamento precisam envolver observação direta, entrevistas e questionários; análises de escolaridade e treinamentos; e construção e interpretação de indicadores de desempenho individuais e coletivos.


O processo deve se dar da seguinte maneira. A gestão de pessoas toma consciência do resultado esperado em uma organização ou uma subunidade. Em seguida compreende os resultados que determinado indivíduo deveria ter. Desta forma pode construir indicadores de desempenho individuais e coletivos. Por conseguinte obtém e analisa os resultados que de fato a organização ou unidade realizam, comparando então com o esperado. De forma análoga repetem o mesmo com o indivíduo em sua contribuição para o resultado global. Por fim investiga através observação, questionários e entrevistas como os resultados reais do coletivo e do indivíduo foram alcançados.


Através de uma construção lógica a gestão de pessoas tendo apreendido os resultados esperados constrói um mapa de competências básicas para a seleção e emprego de pessoal. Pela comparação destes dados com os resultados de fato alcançados, realiza diagnósticos detectando áreas deficientes e áreas inovadoras que agregam mais valor.


Intervém nas áreas deficientes com treinamentos, contratações e dispensas (quando possíveis) visando modificar as competências envolvidas nestes processos. E incorporam as competências dos processos das melhores áreas no mapa de competências e as disseminam por outros indivíduos e pelo restante da organização, além de utilizar estas informações para atualizar os resultados esperados.



Renato Paulo

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Teoria das Restrições



Bússola Financeira



Caros Leitores,


Venho aqui recomendar um excelente livro que já li: A Bússola Financeira.


Nesta obra o autor expõe de maneira, técnica, direta, clara e experimental a aplicação da Teoria das Restrições.


O autor desenvolve a aplicação deste método desenvolvido por Eliyahu Goldratt em situações concretas. Creio que é de grande utilidade para qualquer tipo de empresa. Principalmente aquelas que possuem processos produtivos claros, e notadamente para indústria.
Uma alternativa para aqueles que vêem em "A Meta" (obra que trata sobre o mesmo assunto) uma abordagem excessivamente dramatizada.


Dêem uma lida, estou certo que vale a pena. Água limpa em meio ao no lamaçal de teorias repetitivas ou conselhos sem fundamentação.



Nossa Classificação: Tópico Avançado em Logística
Assuntos Envolvidos:Logística, Estratégia, Finanças e Marketing
Páginas: 208



Sumário: (Destaques)
1. O Papel da Contabilidade Gerencial p. 13
2. Obsolescência da Contabilidade de Custos p. 20
3. Teoria das Restrições (Theory of Constrains - TOC) p. 33
4. Bússola Financeira p. 40
5. Demonstrativos da Bússola Financeira p. 56
6. Conglomerados p. 96
7. Bússola Financeira versus contabilidade de custos p. 106
8. Prejuízo das Otimizações locais p. 116
9. Críticas à Bússola Financeira p. 141
10. Outras Decisões utilizando-se a bússola financeira p. 149
11. Mudanças de paradigma na contabilidade gerencial p. 168
12. Mundo do custo versus mundo do ganho p. 176
13. conclusão p. 190