domingo, 30 de agosto de 2026

Aristóteles, um dos primeiros pesquisadores qualitativos

por Renato Paulo Nicácio Pedrosa


"Espeusipo, inspirado no último e mais extenso diálogo de Platão (As Leis), conferiu à Academia [de Platão, onde até então estudava Aristóteles] um norteamento franca e profundamente marcado pelo orfismo pitagórico [Pitágoras iniciou o primeiro culto conhecido à divindade das verdades matemáticas que depois reaparecerá como desdobramento do Positivismo de Comte], o que resultou na rápida transformação da Academia Platônica em um estabelecimento em que predominava o estudo e ensino das matemáticas, trabalhando-se mais elementos de reflexão e princípios pitagóricos do que propriamente platônicos. Divergindo frontalmente dessa orientação matematizante e mística da filosofia, Aristóteles abandonou a Academia acompanhado de outro discípulo de Platão, Xenócrates [...]" (Edson Bini, Notas do Tradutor em Aristóteles, De Anima, p. 12, 2011).


Vê-se por esse pequeno recorte que a disputa atual entre metodologias de busca do conhecimento verdadeiro (hoje normalmente entendidas como ciência) — a saber: a disputa entre métodos qualitativos e quantitativos —, repete-se em qualquer momento histórico no qual houve a busca pela verdade. Eu creio que isso remonta à natureza humana, há homens (entendidos aqui obviamente como seres humanos) que compreendem no processo de simplificação (análise) e que, por isso mesmo, ressoam com os métodos quantitativos. Por só verem o mundo em suas pequenas partes e incapazes de dar passos atrás para compreender todo organismo funcionando para além da soma das suas partes, condenam o mundo à sua falta de visão por decretarem quando pouco míopes a superioridade dos métodos quantitativos e, quando muito míopes, a inexistência de validade nos métodos qualitativos.

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